Principais pontos:
1. Gestão de Riscos: O Pilar Fundamental para FinTechs - Com o cenário de venture capital mais exigente, FinTechs precisam equilibrar crescimento com sustentabilidade financeira. A gestão de riscos é essencial para evitar inadimplência e garantir operações seguras.
2. Inteligência Artificial (IA) e o Machine Learning são aliados estratégicos na análise de crédito. Com 53% das FinTechs planejando investir em IA nos próximos dois anos, a tecnologia se consolida como um diferencial competitivo.
3. A Importância dos Dados na Tomada de Decisão: Acesso a dados de crédito e dados alternativos é crucial para avaliar riscos de forma precisa. Combinando essas informações, FinTechs conseguem uma visão mais completa dos clientes.
4. O Futuro com GenAI: A Inteligência Artificial Generativa começa a transformar a análise de crédito, o atendimento ao cliente e até estratégias de cobrança. Sua capacidade de processar dados desestruturados melhora a personalização e eficiência das operações, garantindo maior precisão na precificação e negociação de dívidas.
O cenário atual do mercado de FinTechs mudou consideravelmente, levando essas empresas por um caminho sem volta. Em vez de crescimento exponencial, o que importa agora é mostrar que o negócio é viável (o famoso “para de pé”).
Investidores de venture capital estão cada vez mais exigentes em suas escolhas de ativos, exigindo que as FinTechs ajustem suas estratégias para focar na geração de receita, controle de custos e gestão de riscos — chamamos isso de back to the basics.
Nesta trilha de artigos, começamos falando sobre as principais diferenças nos modelos de negócios e estratégias de crescimento entre as FinTechs — e os desafios na busca pela rentabilidade. Nesta edição, vamos explorar o outro lado da moeda: como melhorar as eficiências operacionais para planejar um crescimento sustentável dos negócios.
Eu sou Helena Leite, especialista de mercado no setor bancário da TransUnion Brasil, e nesta série de artigos, vou ajudá-lo a entender melhor as tendências e desafios que estão moldando o futuro das FinTechs no país.
Back to the basics: estratégias de crescimento para FinTechs
Um dos desafios enfrentados pelas FinTechs atualmente é a crise de funding (ou seja, a quantidade de dinheiro disponível para investimento). Com o cenário econômico global se tornando mais cauteloso e com menos capital disponível para investimentos de risco, muitas startups estão tendo que revisar suas operações para se tornarem financeiramente sustentáveis.
A estratégia para superar essa crise envolve aumentar a eficiência operacional, o que significa fazer mais com menos — melhorando os processos internos, reduzindo despesas desnecessárias e focando no core business.
Eficiência operacional: uma busca incessante
Há muito tempo existe um consenso sobre a importância da eficiência operacional na rentabilidade de um negócio. O que torna este tema tão relevante é que a maioria das empresas ainda gasta muito dinheiro com processos manuais, desperdiça recursos e tem falta de coordenação entre as áreas — entre outros aspectos que causam ineficiências nas operações.
Quando falamos sobre empresas que cresceram muito em pouco tempo, como as FinTechs, esse problema é ainda maior. Imagine uma FinTech que acabou de receber milhões em financiamento e está sob pressão para crescer e mostrar resultados aos investidores. Afinal, o que vem depois de uma rodada de investimento é a preparação para a próxima (ou pelo menos, era assim que funcionava).
As chances são altas de que essa FinTech se perca na execução da estratégia com decisões apressadas, impactando a priorização do roadmap de produtos que não são o foco da empresa, o desenvolvimento de sistemas internos que não são integrados nem escaláveis, a falta de processos estruturados e governança da operação — entre outros problemas.
O preço desse crescimento mal planejado e/ou executado bate à porta quando o dinheiro se torna mais escasso e à medida que o negócio cresce em tamanho e, especialmente, em complexidade. Se você, leitor, está trabalhando em uma FinTech (ou em qualquer outra startup), dou um conselho: planeje para ser grande no futuro — mas não crie complexidade desnecessária.
Não reinvente a roda
Um dos erros é gastar tempo e esforço com atividades que não são o core business (ou seja, a principal atividade do negócio, que no caso das FinTechs é emprestar dinheiro por meio de canais digitais), como o desenvolvimento de sistemas internos, plataformas de decisão e até ferramentas de relacionamento com o cliente.
Quando o negócio cresce, aquele sistema desenvolvido internamente, que inicialmente era simples, começa a se tornar mais complexo, exigindo várias integrações, módulos e flexibilidade.
Felizmente, no mercado existem diversas ferramentas que permitem o crescimento escalável de uma FinTech, e a cada dia mais essas empresas estão olhando para dentro de casa e identificando oportunidades de melhorias para automatizar processos, avaliar riscos e gerar ganhos de escala.
Quando falamos em planejar a operação para ser grande no futuro, a palavra-chave é escalabilidade, ou seja, a capacidade de um sistema ou negócio suportar o crescimento elevado sem afetar negativamente a operação.
Em um negócio de crédito, isso significa ter sistemas robustos e plataformas de decisão que suportem altos volumes de processamento, integrem-se com outros sistemas internos e externos, funcionem na nuvem e, acima de tudo, sejam flexíveis para se adaptar às mudanças nas estratégias de negócios à medida que a empresa cresce.
Use as tecnologias a seu favor
Não podemos falar de eficiência operacional sem mencionar a Inteligência Artificial (IA). Aliás, se você não está usando IA no seu negócio, você já está atrasado! As aplicações da inteligência artificial são diversas, e no mercado bancário ela tem sido usada tanto para otimizar as interações com o cliente, como para maximizar a eficiência operacional.
No primeiro caso, alguns usos são para melhorar a experiência do cliente com ofertas personalizadas, comunicação mais assertiva e até mesmo análise e resolução de reclamações. Já quando pensamos na IA para gerar eficiência operacional, alguns dos casos de uso são em processos anti-fraude, análise de risco de crédito e automação de processos.
Conclusão
Com a redução do funding disponível para novas captações, o foco na rentabilidade da operação das FinTechs se tornou um fator crítico para a sobrevivência dessas empresas. Um dos detratores da rentabilidade é a falta de eficiência operacional do negócio, muitas vezes causada pelo crescimento acelerado e desestruturado.
No cenário de mercado atual, as FinTechs precisam rever suas prioridades estratégicas para garantir um crescimento sustentável de longo prazo. Algumas ações são solidificar a operação do produto principal antes de novos lançamentos, estruturar uma operação robusta e que permita a escalabilidade, e garantir a governança da operação.
Essas mudanças estratégicas podem garantir a sustentabilidade das FinTechs e também permitir que essas empresas continuem oferecendo soluções financeiras inovadoras e acessíveis para milhões de clientes, reforçando seu papel transformador no setor financeiro.
Para as FinTechs (e empresas em geral) que estão pensando se vale a pena essa jornada de transformação, comece identificando o que você tem hoje, onde você quer chegar, e escolha parceiros de confiança para te ajudar nessa jornada.