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O futuro das fintechs no Brasil: Principais segmentos

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Principais pontos:

1. Crescimento Exponencial das FinTechs no Brasil: O mercado brasileiro de FinTechs é um dos mais dinâmicos e inovadores do mundo, impulsionado por um ambiente regulatório favorável, avanços tecnológicos e alta demanda por serviços financeiros digitais.

2. Tendências do mercado: WealthTech: Plataformas de investimento simplificadas, como XP Investimentos e Warren, democratizam o acesso a investimentos./ Crypto: Crescimento de exchanges como Mercado Bitcoin e Foxbit, impulsionadas pelo interesse em criptomoedas.

3. A pandemia acelerou a adoção de serviços financeiros digitais, com destaque para bancos digitais e soluções de pagamento.

4. A concorrência entre FinTechs e bancos tradicionais beneficia os consumidores, com ofertas mais personalizadas e acessíveis.

5. O setor continua em expansão, com foco em soluções personalizadas, eficiência operacional e uso de tecnologias emergentes.  

 

Como chegamos até aqui, e quais as tendências desse mercado

O mercado de fintechs no Brasil tem se consolidado como um dos mais dinâmicos e inovadores no cenário global. Com um ambiente regulatório favorável, o avanço de novas tecnologias que aceleraram a digitalização do sistema financeiro, e uma demanda reprimida por produtos e serviços financeiros, o Brasil presenciou um boom de fintechs se consolidando nos diversos segmentos de mercado.  

Com um mercado tão grande a ser explorado, empresas como Nubank, Inter, PicPay, PagSeguro e Stone são listadas nas bolsas americanas, atraindo investidores de todo o mundo para financiar o crescimento do mercado bancário brasileiro. 

Eu sou Helena Leite, especialista de mercado do setor bancário na TransUnion Brasil, e nessa série de artigos vou te ajudar a compreender melhor as tendências e os desafios que moldam o futuro das FinTechs no país.

 

Principais segmentos das FinTechs: bancos digitais (neo-banks), crédito (lending) e meios de pagamentos (payments)

O mercado brasileiro de FinTechs é um dos mais maduros do mundo, e os diferentes modelos de negócios e nichos de atuação trazem uma certa complexidade ao analisar as tendências e evolução dessas empresas.

Vamos começar essa série de artigos explicando as principais diferenças de modelo de negócios e estratégias de crescimento entre as FinTechs. Aqui na TransUnion usamos três grandes segmentos para distinguir essas empresas, e eles são – bancos digitais, as FinTechs de crédito, e os meios de pagamento.

Bancos Digitais / Neo-Banks

Os bancos digitais foram os principais drivers de transformação digital no segmento bancário no Brasil e no mundo, e durante a pandemia do COVID-19 eles tiveram um crescimento exponencial dada a mudança de vida que impactou também o consumo de produtos e serviços financeiros. A principal característica dos bancos digitais é que toda a sua operação é digital, ou seja, não existem agências bancárias, e o seu diferencial é o foco na experiência digital do consumidor. Inicialmente essas FinTechs ofertavam produtos como contas digitais, cartões de débito e de crédito sem anuidade, que são considerados produtos transacionais, ou seja, eles tem uma característica mais próxima de uma forma de pagamento e gestão financeira do dia-a-dia do que com o crédito de fato, sendo usados para recebimento de valores, transações via PIX, pagamento de boletos, entre outros.

Com o passar dos anos, os bancos digitais expandiram as ofertas para os clientes com seguros, marketplace, e produtos de crédito como consignado, crédito pessoal, entre outros. Com um portfolio de produtos cada dia maior, os bancos digitais acirram a disputa com os bancos tradicionais, gerando uma concorrência benéfica para o consumidor que agora pode escolher a melhor oferta para o seu momento de vida atual.

FinTechs de Crédito / Lending

Apesar dessa expansão recente de produtos de crédito pelos bancos digitais, temos uma outra categoria – as FinTechs de crédito – já atuam nessas linhas de negócios há muito tempo. Nesse segmento, a oferta principal é um produto de crédito, e não produtos transacionais como conta corrente, cartão de débito e crédito. Esses produtos de crédito variam de acordo com o foco de cada FinTech, podendo ser um empréstimo pessoal, consignado, financiamento de veículos, e até mesmo ofertas de crédito para pequenas e médias empresas.

Um exemplo é a Creditas, uma das primeiras instituições do Brasil a ofertar o produto de car-equity, um empréstimo que usa o seu veículo como garantia, e que hoje já possue outras linhas de negócios como por exemplo o consignado privado. Ao longo dos últimos anos, empresas desse segmento têm crescido significativamente devido à alta demanda por crédito mais acessível. 

Apesar de não colocarmos como um segmento separado, um modelo de negócios que é muito relevante fora do Brasil, mas que até agora não teve muita atratividade no mercado local, é o Buy Now, Pay Later (“BNPL”). Podemos colocar esse modelo de negócios como um sub-segmento das FinTechs de Crédito, porque o BNPL nada mais é do que um crédito ao consumidor. A grande diferença desse produto é que ele é vinculado a uma compra, sendo usado como um meio de pagamento parcelado. O tipo de produto atrelado pode variar muito, desde bens de consumo duráveis até viagens, que é o caso da KOIN, que facilita o parcelamento de compras para clientes que não têm limite de crédito disponível nos cartões de crédito.

Meios de Pagamento / Payments

Assim como os bancos digitais mudaram o cenário a forma como as pessoas consomem produtos e serviços bancários, as FinTechs de payments foram responsáveis pela popularização das maquininhas de cartão em pequenos e médios estabelecimentos.

Essas empresas são as principais responsáveis por você poder pagar o taxista, a manicure, o barbeiro e a padaria com o seu cartão de crédito ou débito.

Uma das pioneiras no setor foi a Stone, que não só bateu de frente com a consolidada Cielo, mas que criou um novo mercado ao viabilizar o acesso a soluções inovadoras de pagamentos para lojistas e prestadores de serviço que antes não tinham condições de arcar com os custos das grandes empresas como a estabelecida Cielo. Com uma grande força de vendas, ela conseguiu expandir a sua operação por todo o país, e abriu portas para outras empresas como SumUp, Pagseguro, e mais recentemente Mercado Pago e PicPay.

Os principais produtos das empresas de pagamentos são as soluções de POS (point-of-sale, ou seja, as famosas maquininhas), os gateways de pagamentos (plataformas que viabilizam os pagamentos online), e produtos e serviços financeiros para os clientes PJ, como conta digital e adiantamento de recebíveis das vendas realizadas.

Essas empresas em conjunto foram vitais para o crescimento do comércio eletrônico e para a inclusão financeira de uma parcela significativa da população, em especial os pequenos e médios empreendedores.

Segmentos emergentes

Temos outros dois segmentos emergentes que  podemos considerar dentro do mercado de FinTechs, mas ainda não tão relevantes como os anteriores.

No setor de wealthtech, fintechs como XP Investimentos e Warren têm facilitado o acesso a investimentos, oferecendo plataformas simplificadas e acessíveis para que os brasileiros possam gerenciar seus ativos e construir patrimônio. O uso de algoritmos e personalização de carteiras de investimento são exemplos de como essas empresas trazem a inovação para um mercado antes exclusivo.

E complementar a esse mercado de investimentos temos as empresas de crypto. Essa é uma modalidade de investimento que tem crescido após o boom do bitcoin em 2017. As empresas que atuam nesse mercado são plataformas de negociação de moedas crypto (crypto exchanges), ou seja, elas não só permitem a negociação como fazem a custória das moedas dos investidores. Atualmente, temos diversas empresas que operam no mercado de crypto no Brasil, como a Mercado Bitcoin, Foxbit, e Bitso.

Conclusão

O mercado de FinTechs no Brasil continua em plena expansão, impulsionado por um ambiente regulatório favorável, o avanço de novas tecnologias, e uma população com pouco acesso a crédito.

Independente do segmento de atuação, o futuro das FinTechs no Brasil promete ser de contínua inovação.  com um foco cada vez maior em soluções personalizadas, eficiência operacional e o uso inteligente de tecnologias emergentes.

À medida que o setor evolui, o Brasil se consolida como um dos maiores polos de FinTechs da América Latina e do mundo. E empresas como Nubank, Inter, Creditas e muitas outras nos mostram que ainda existe muito mercado para ser explorado, e que a competição no setor bancário brasileiro só deve aumentar nos próximos anos.